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SIGNOS DE FÉ

 
     

 

 

O sagrado, em suas diferentes manifestações, vive em cada canto da região central de São Paulo. É

o que mostra, por meio de imagens e reportagens, o livro “Sacracidade - Expressões da Fé na

Metrópole”, do jornalista, fotógrafo e pesquisador Xavier Bartaburu que acaba de chegar às livrarias

de todo o país. Na locomotiva econômica do país, nem tudo é caos e business. Histórico destino de

imigrantes – vindos das mais diferentes regiões brasileiras e também de países com as mais

diversificadas culturas –, a capital paulista, que comemora 464 anos em 25 de janeiro, é um mosaico

multifacetado. Neste, convivem as mais variadas etnias, que mantêm e expressam suas tradições e,

sobretudo, sua religiosidade. É justamente esta São Paulo que está estampada nas páginas de

“Sacracidade”. Lançando mão de ferramentas do jornalismo literário e da fotografia documental,

Xavier Bartaburu buscou o sagrado em esquinas, vielas e ruas enviesadas. Percorreu igrejas,

templos, mesquitas, sinagogas e terreiros para registrar as muitas formas com que os habitantes

da maior cidade do Brasil se conectam com o divino. Como resultado, surge uma detalhada

cartografia da fé. O título, com 224 páginas, 16 reportagens e mais de 80 fotos, é um dos mais

completos registros da diversidade religiosa no centro paulistano. Um retrato de cristãos,

muçulmanos, judeus, espíritas, budistas, umbandistas e candomblecistas, os quais – e cada um a

seu modo – buscam Deus ao meio do já consagrado desvario da pauliceia.

 

Segundo o autor, “Sacracidade” pode ser definido como uma coletânea de contos da vida real. “As

histórias que coletei são todas reais, mas bem poderiam ter sido inventadas, de tão insólitas. Por

isso, apesar de ser um livro de não ficção, optei por um tratamento literário que ilumina sob outros

ângulos aqueles lugares e personagens.”

 

Quanto às imagens, Bartaburu diz: “Todas as fotos foram capturadas pelo ângulo de uma

testemunha ocular ao mesmo tempo ativa e passiva desses cenários. Não tem nenhum retrato,

nada foi posado. Registrei os cultos como se estivesse no meio da massa de fiéis, imerso naquelas

experiências do sagrado”.


Ao dirigir seu olhar para esses universos de conexão e religação com o sagrado, o autor, mais do

que coletar imagens, se viu testemunha de situações pouco imagináveis até então. Na introdução

do livro, ele escreve: “São Paulo talvez não tenha 365 igrejas como Salvador, mas tem missa em

alemão, japonês, italiano, espanhol, armênio, árabe, coreano e latim. Tem boliviano na sinagoga e

chinês no terreiro. Trans no púlpito e freira na clausura. Zé Pelintra no Bixiga e Alá no Anhangabaú.

Tem padre dando passe e mãe de santo em porta de igreja. Tem pastor peregrino e, também,

butique de batina. Tudo isso bem no centro. A três, quatro, não mais que dez quadras de distância.

Entre o lixo e o xixi, entre a fumaça e o fuzuê, não tem canto onde alguém não tenha encontrado

seu Deus”.

 

Neste entroncamento de crenças que é a região central, a fé parece estar em permanente

congestionamento e floresce ao meio do concreto sujo do território profano da metrópole. “Em

todos esses templos que ancoram o sagrado, os cidadãos buscam refúgio, conexão e sanidade

numa cidade por si ilógica”, diz Bartaburu. “São muitas as portas abertas. Basta entrar”, sintetiza.

 

SERVIÇO

SACRACIDADE: EXPRESSÕES DA FÉ NA METRÓPOLE

Autor: Xavier Bartaburu

Editora: Origem

Número de páginas: 224

Preço: R$ 65

Onde comprar: nas grandes livrarias e

no site www.origemphotobooks.com/product-page/sacracidade