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  CHANEL E EU  
     
. 28 DE JULHO DE 2013 .
     
 

Ela chegou em casa, com um laço de fita no pescoço, no natal de 1.999. Tinha 40 dias de vida e um

brilho no olhar que me arrebatou logo na chegada. Resolvi batizá-la de Chanel – achei que o nome

combinava com a carinha dela...

 

Naquele ano vivíamos a expectativa do Bug do Milênio – afinal o mudo acabaria de fato no ano

2.000? Mas enquanto o mundo se preocupava com o fim dos tempos, eu teria que aprender a lidar

com um novo ser, um novo mundo sob os meus cuidados.

 

Tinha programado um réveillon ao lado de minha mãe, minhas tias, e pessoas muito queridas –

afinal, se o mundo ia acabar em 2.000 era cercado dessas pessoas que queria estar. Chovia muito

naquele réveillon de 1.999 – torrencialmente! E em casa, um total de seis pessoas, champagne,

música, comidinhas gostosas e a estréia da pequena Chanel nas festas do apartamento.

 

E, apesar das chuvas e contrariando astrólogos, profetas, visionários e até alguns cientistas o

mundo não acabou – e começa ali uma relação de amizade, cumplicidade, intimidade entre Chanel e

eu.

 

Aprender a conviver com um pequeno animal, tentar educá-lo, cuidar de suas necessidades mais

íntimas e instintivas foi um grande aprendizado. Você começa a se interessar por coisas e assuntos

que em nenhuma outra situação se interessaria. Coisas como – por que os dachshuds têm o

formato de salsicha? A origem dele é mesma alemã? É um cão de caça? Coisas que, na verdade,

pouco importa. Não demorou e começaram a surgir os muitos “padrinhos” da mais nova moradora

da casa – Mara, Joel, Flávia, Vanessa, Maria, João, Helena, Diogo.

 

Amada, paparicada, festejada, badalada, também não demorou a se tornar a estrela das muitas

festas da casa – passando de colo em colo, alimentada às escondidas pelas “tias”, chegava ao final

das muitas noites com todos os perfumes possíveis... E aliviada em ter a nossa casa de novo só pra

nós.

 

Chanel, com certeza, não teve uma vida só de festas. O estresse, causado nos momentos das

minhas viagens mais longas, davam mostra de uma paixão insubstituível – e recíproca. Fomos

algumas vezes a Paraty, outras a Campos do Jordão, uma até Ubatuba. Mas nunca consegui levá-la

a Paris, embora sempre tenha sonhado com isso.

 

Mas, o importante mesmo, foi a convivência que tivemos entre quatro paredes. Uma linguagem

baseada em gestos e olhares, que poderia significar alegria ou reprovação. A necessidade um do

outro, ensinou a dividir a cama no descanso, a cadeira no trabalho, o sofá da leitura. Me olhando,

fixamente, talvez Chanel imaginasse porque perder tanto tempo com livros e filmes. Mas não

reprovava, aos poucos ia fechando os olhos, embora nunca fechasse a guarda – bastava um

foguete, o interfone, a campainha, um barulho na rua para que a delicadeza da “patricinha” se

transformasse na guarda de um cão “feroz” – latido forte, percorria toda a casa em busca do perigo.

Me divertia, enquanto me sentia “protegido”.

 

Chanel também foi uma “terapeuta” silenciosa – quantos segredos, confidências, momentos únicos

de tristeza pelos mais diferentes motivos e razões ela foi a única ouvinte e testemunha. E como o

silencio tem voz, ela foi, sem dúvida, uma grande conselheira, ao jeito dela. Afinal éramos só nós

dois, na maioria das vezes e em grande parte do tempo.

 

Sentado diante desse computador, com o silêncio triste dela não estar dormindo ao quarto ao lado,

venho relembrando os problemas surgidos nesses últimos dois anos com a saúde dessa minha

pequena companheira. A cirurgia, bem sucedida, retirou os tumores da mama, E nos aproximou mais

ainda. Novos cuidados, remédios, atenção redobrada.

 

Até que nessas duas últimas semanas os problemas se agravaram e vieram todos de uma só vez.

Embora Chanel tenha me visto chorar muitas vezes, tinha chegado a minha vez de ficar em pânico

diante de um choro dolorido, incontrolável e apavorante. Um choro de dor diante da minha

impossibilidade de ser Deus.

 

Correria, veterinários, cirurgias, fisioterapias e diagnósticos – e me perguntava: o que seria capaz

de nos aproximar do poder divino pra diminuir essa angustia?

 

Outra cirurgia bem sucedida, problema da hérnia solucionada, mas o destino esqueceu de dividir

com a gente a informação de que esses tumores traiçoeiros nos enganam, usam de artifícios e

quando a gente acredita que tudo passou eles avisam, cruéis, que apenas mudaram de lugar.

 

Quem assistiu o filme ou leu o livro “Marley e Eu”, muito provavelmente encontrou semelhanças

nesse texto, “Chanel e Eu”. Semelhanças felizes e também semelhanças tristes: por que será que

não podemos ter o poder divino na hora de curar mas temos que assumir o lugar Deus no momento

de dizer – “minha amiga querida, chegou sua hora de partir!”

 

Treze anos de convívio e treze nunca foi o meu número de sorte.

 

Chove muito e faz frio neste final de julho e até o Papa Francisco ( Santo protetor dos animais)

circula aqui, explicando que a simplicidade e a felicidade se conquista nos pequenos gestos.

 

O mundo não acabou naquela noite chuvosa de 1.999 – muito pelo contrário. Mas o mundo perdeu

muito de sua graça nesse dia nublado de 2013 (e treze nunca foi o meu número da sorte!)

 

E só me restou dizer a ela com o olhar, no momento em que o dela ia se apagando: minha pequena

e doce Chanel, vou sentir muito a sua falta!

 

 
     
  UMA AUSÊNCIA, SEMPRE PRESENTE!  
     
  23 DE MARÇO DE 2013 - 09:07h  
     
 

Ok, Ok – você está certo.

 

Eu bem que deveria circular mais por aqui – nesse blog sempre tão esquecido. Como todo mundo

sempre faz suas promessas em inicio de ano deixo aqui registrado a nossa: em 2013 vamos estar

presentes de forma mais efetiva no Blog JLSOCIAL. Essa é a promessa que fazemos neste inicio do

ano 3 de nossa página nessa fascinante rede mundial de internet.

 

E não é má vontade! E muito menos falta de assunto. Há tantas coisas a se reclamar, comentar,

alertar. Mas nesse dia em que o JLSOCIAL comemora dois aninhos com esse brunch carimbado na

Sociedade Hípica de Guaratinguetá o clima é de festa.

 

E também de avaliação – afinal nesses pouco mais de 24 meses a constatação de que a

comunicação com os nossos leitores espalhados pelo mundo – mas sempre de olhos voltados para

o Vale do Paraíba – têm nos gerado milhares de acessos e acabou resultando ainda num novo

produto – a JLS Magazine, lançada em sua Edição de Inverno em novembro último e criando grande

expectativa para a Edição de Inverno que sai do forno no próximo mês de Junho.

 

E é por isso mesmo que comemoração para nós – do site JLSOCIAL e da revista JLS Magazine

significa muito trabalho. Uma deliciosa e bem humorada forma de trabalhar. Fique com a gente!