Com raízes no Vale do Paraíba – seu pai, Jack Fabiano Gosling é da cidade de Cruzeiro local onde as pescarias em família povoam sua memória criativa – o artista plástico Renato Gosling inaugira no próximo dia 12 de novembro em seu atelier no Alto de Pinheiros sua nova exposição. A exemplo de outros trabalhos, multidisciplinar e autodidata, Renato observa a vida mundana gerando obras e ressignificando ícones. A partir dessa interpretação do cotidiano, criando novas narrativas de lidar com o que nos rodeia o resultado são obras únicas que tem despertado atenção de coleções nos EUA e Suíça. Para essa nova exposição, “Made In Brazil é Nóis” – com curadoria de Caru Albuquerque – o artista usa simbologias e fazeres culturais promovendo instigante discussão sobre a formação da nossa identidade. “Meu trabalho traz um olhar sobre as coisas banais e simples” – comenta! E exibe em fotografias, assemblages e esculturas, ícones brasileiros reinventados que carregam memórias afetivas e ativam nosso sentimento de pertencimento a este lugar e a este grupo. Um paradigma daquilo que se percebe como “brasilidade”. O vernissage estendido, com hora agendada, acontece de 12 a 19 de novembro – mas a exposição até 31 de janeiro de 2021.

Estão na exposição ícones tanto de origem brasileira, como o chinelo da marca Havaianas, como que não são originais do país mas foram reconhecidos como parte da cultura nacional. Assim, abre-se caminho para discussões sobre a incorporarão de um produto estrangeiro por nossa cultura, sendo percebido, então, como “brasileiro”. Como se dá esse o processo de tornar algo portador da iconicidade de um país é uma das questões que vem à tona. “A noção de brasilidade começou a ser formada no Modernismo, quando artistas daqui se juntaram para pensar em nas características culturais e estéticas deste território e reafirmálas em suas obras”, diz Caru. Um exemplo é a caixa de fósforos da empresa Fiat Lux, a mais antiga (e famosa) do Brasil. Apesar da origem sueca, ela se tornou um ícone brasileiro ao ser apropriada pelo samba e revertida em instrumento musical-símbolo estilo. Em Made In Brazil É Nóis a caixa de fósforos (ou intrumento musical) está super-dimensionada e forrada com espelhos dourados. Na imagem do reflexo as pessoas se veem inseridas em um ambiente amarelo – uma das cores usadas na representação do país. A obra, assim, sugere que a brasilidade surge tanto de ícones que são reflexo de nossa cultura como que as pessoas se espelham nesses ícones, o que ativa o sentimento de pertencimento. Em alguns momentos, Gosling lança mão de uma poética que se apóia na comicidade. Um exemplo são as tiras de chinelo que aparecem sozinhas, sem as solas, com um prego, como o conserto ou “gambiarra” que os brasileiros fazem quando ela arrebenta. A obra “Lembrança de…” traz oito palitos de fósforo agigantados produzidos em peroba com cabeças feitas em metal. Cada um recebeu uma inscrição feita com a mesma fonte das fitas do Nosso Senhor do Bonfim, pulseira bahiana de tecido que acredita-se realizar pedidos quando solta do pulso. A inscrição une expressões idiomáticas brasileiras que possuem certo atributo de comicidade, como “pagar o pato” ou “afogar o ganso”, com os dizeres do souveineir mais icônico do país, formando frases como “Lembrança de Pagar o Pato”. “A alegria, as crendices populares, a espiritualidade, irreverência e a capacidade de rir na desgraça podem ser vistas nesta obra”, afirma a curadora. As obras “Amor”, “Havaianas” e “Nossa Senhora de Nazaré” são fotografias que registram assemblages feitos pelo artista. A paçoca Amor foi recriada com pedras pintadas. Lançada em 1959, el traz no rótulo original o nome do fabricante, Sing’s, mas na obra de Gosling lêse “Love Songs”. Também recriado a partir de pedrinhas aparece o calçadão de Copacaba, alocado na palmilha de um chinelo de dedo na obra “Havaianas”. Já a Nossa Senhora de Nazaré tem o manto reproduzido com pétalas de rosas. Para a vestimenta da santa, as pétalas foram congeladas para possibilitar que fossem despedaçadas sem murchar. Ervilhas e açaí em pó completam os materiais. O TÍTULO Made In Brazil é Nóis faz referência à frase escrita em produtos exportados produzidos em território nacional, sendo ‘Brazil’ a grafia com a qual o país é conhecido além dos países de língua portuguesa. “É uma expressão usada para descrever o país visto pelos olhos do estrangeiro, um Brasil que não é o país que os brasileiros vivem diariamente, mas que se resume a estereótipos culturais e materiais que são exportados para o resto do mundo”, diz Gosling. “A expressão ‘é nóis’ é muito popular nas periferias das grandes cidades brasileiras e significa uma afirmação de uma força coletiva”, finaliza o artista. Acompanhe todos os detalhes pelo site www.renatogosling.com.br .

E o siga no Instagram: @renatogoslingartist

Fotos: Guilherme Pimenta

Envie sua mensagem!

Deixe seu recado abaixo pra gente! ;)